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Principais Atributos da Raça

A raça Dorper tem atendido uma variedade de condições de ambientes das regiões tropicais e semitropicais, pela excelente condição de adaptabilidade e vigor, aceitáveis índices de reprodução, boa habilidade materna, altas taxas de crescimento materna, altas taxas de crescimento e excelentes qualidades de carcaça.


Grupo de ovelhas e reprodutores Dorper, na savana africana.
Fazenda de Ben Gronje, em Petrusbrug, África do Sul.


1. Desempenho Reprodutivo

As informações utilizadas neste trabalho foram obtidas de diferentes fontes, representando uma variedade de sistemas de produção. Assim, não é surpresa encontrar uma grande variação de pesos e ganho de pesos nas informações relatadas a seguir.

Os ovinos da raça Dorper embora apresentem uma boa performance reprodutiva, não é considerada uma raça prolífica, como outras raças de origem de clima temperado, mas apresenta índices semelhantes aos da raça Santa Inês.

O Dorper geralmente não apresenta problemas de sazonalidade reprodutiva e, quando submetida a um bom programa de manejo, pode parir na maioria dos meses do ano. A raça é bastante fértil e a percentagem de ovelhas que tomam-se prenhas em uma estação de cobertura, é bastante alta, aumentando assim o potencial de seleção e o excedente de cordeiro disponível para o abate.

Maturidade sexual

O Dorper é considerada uma raça precoce sexualmente, com ovelhas exibindo estro a partir de 183 dias de idade. Quando comparada com outras raças, as ovelhas Dorper exibiram seus primeiros estros (cio) aos 213 dias de idade, com peso de 39,0 kg. Na raça Romanoff esses parâmetros foram de 228 dias e 29,0kg, respectivamente. Em outro estudo, em um sistema de produção intensiva de cordeiros, ovelhas Dorper conceberam pela primeira vez aos 328 dias, com peso médio de 50 kg.

Com relação aos machos, foi observado que estes apresentavam aos 112 dias de idade (x 1 0 células sexuais chegando aos 160 dias com 16,6 x 10 células sexuais. Isto demonstra que os machos Dorper são capazes de fertilizarem fêmeas com idades muito jovens.

Ciclo estral

Normalmente as ovelhas Dorper demonstraram uma reduzida sazonalidade, quando comparadas com outras raças, como por exemplo, a Merino, que apresenta anestro durante o mês de outubro, nas condições da África, além de limitada atividade sexual durante outros três meses do ano. O número médio anual de ciclo estral por ovelhas Merino, em estudo realizado na África, foi de 8,1 enquanto para ovelhas Dorper foi de 16,3. A média do comprimento do ciclo estral foi de 17,3 dias e a duração do estro apresentou média de 33,3 horas, variando de 28,0 a 35,1 horas.

Fertilidade da ovelha

Fertilidade da ovelha definida como o número de ovelhas paridas por ovelhas expostas, tem sido consistentemente alta nas ovelhas Dorper, com taxas que variam de 0,75 - 0,97, dependendo do tipo de manejo nutricional e reprodutivo (Tabela 1). Essa habilidade reprodutiva representa o primeiro passo para produção de cordeiros de forma econômica. Pois, mesmo sob condição de pasto as ovelhas Dorper mostraram-se eficientes.

Prolificidade

Uma grande variação de taxa de prolificidade é reportada na literatura, conforme observado na Tabela 1. A prolificidade definida como o número de cordeiros nascidos por ovelhas paridas tem variado de 1,1 a 1,7, com média de 1,4. Esta variação está mais associada ao tipo de manejo do que ao efeito genético aditivo da raça. No entanto, a raça Dorper é considerada uma raça com índice de prolificidade razoável, mas isto é compensado pelo eficiente crescimento de suas crias, durante os quatros primeiros meses de vida.


Rebanho de ovelhas com crias, na fazenda de Ernest Connon próxima à Upington, em plena região árida, nas bordas do deserto de Karoo (São imensas planícies de pequenos arbustos e raras árvores onde são criados os Dorper's Connon).


Sobrevivência

Em geral, as taxas de sobrevivência na raça Dorper, definidas como o número de cordeiros desmamados por cordeiros nascidos, encontradas na literatura são consistentemente altas, de aproximadamente 0,90 (Tabela 1), indicando boa habilidade materna das ovelhas Dorper.

Tabela 1.
Alguns parâmetros de reprodução em ovelhas Dorper em diferentes sistemas de produção, na África do Sul.

Parâmetros Dieta Manejo reprodutivo Fonte
F P S
0,87 1,05 - PN Flushing (*) alimentar Coetzee (1964)
0,80 1,39 0,85 PN Flushing alimentar Pretorius & Viljoen (1968)
0,91 1,73 0,88 DC Parto anual Basson et al. (1969)
0,89 1,49 - PN 3 partos em 2 anos Buitendag (1985)
0,97 1,40 0,84 DC 3 partos em 2 anos Elias et al. (1986)
0,89 1,59 0,91 PN Parto anual Cloete & De Villiers (1987)
0,81 1,48 - - Parto anual Eltawail & Narendran (1990)
0,90 1,29 0,90 PN 3 partos em 2 anos Manyuchi et al. (1991) 0,85
1,41 0,94 - P1 3 partos em dois anos Schoeman & Burger(1992) 0,92
1,17 0,95 - PN Parto anual Ackerman (1993)
0,75 1,08 - DC 3 partos em 2 anos Schoeman eta!. (1993b)
0,82 1,24 0,88 PN 3 partos em 2 anos Van Niekerk (1998)

Legenda:
F= Fertilidade, P= Prolificidade, S= Sobrevivência até o desmame
Flushing= Reforço alimentar 30 dias antes e depois da estação de monta
PN= Pastagem nativa
DC= Dieta completa
P1= Pastagem irrigada

Intervalo de partos

Sob boas condições de manejo, o intervalo de parto pode ser de oito meses, resultando em até três parições em dois anos. Uma taxa de panção de 150% pode ser alcançada sob boas condições enquanto que em excepcionais condições de manejo, este índice pode chegar até 180%. Sob essas condições partos duplos são predominantes e atestam a boa fecundidade das ovelhas Dorper. No entanto, quando manejadas em condição de campo, a média tem sido de 120% sendo na sua maioria partos simples.

Tabela 2.
Índices reprodutivos com base em 100 ovelhas cobertas.

Características Nº de ovelhas
cobertas
Nº de crias
nascidas
Nº de crias
desmamadas
N° de ovelhas cobertas 100 - -
N° de ovelhas paridas 95 - -
N° de ovelhas com partos simples 61 61 60
N° de ovelhas com partos duplos 30 60 58
N° de ovelhas com partos triplos 4 12 10
N° total de crias - 133 128
Fonte: Campbell (1995)

Período de gestação

Há uma consistência nas informações obtidas na literatura sobre este parâmetro na raça. Na sua grande maioria os trabalhos sinalizam para um período de gestação de 146 dias, com variação de 142 - 153 dias. Assim, o período de gestação na raça Dorper é consistentemente mais curto do que nas outras raças lanadas. Esta variação também estar associada a idade da ovelha, a prolificidade e ao sexo da cria.

2. Peso Vivo e Ganho de Peso

Resultados obtidos na África do Sul

Os cordeiros Dorper crescem rapidamente e alcançam um alto peso à desmama que, do ponto de vista econômico, é um parâmetro muito importante na criação de ovinos de corte. Um peso vivo médio de 36kg pode ser alcançado por um cordeiro Dorper entre 100 -120 dias de idade, assegurando assim carcaças de alta qualidade com aproximadamente 16,0 kg. O ganho de peso médio no período da pré-desmama, sob condições de campo, oscila entre 190-330 g/dia.

Na pós-desmama, sob essas mesmas condições, este ganho varia de 81-91 g/dia e quando submetidos a teste de performance, nessa mesma fase alcançam até 203 g/dia.


Lote de Jovens reprodutores na fazenda de Ben Grobbelaar de excelente conformação


Resultados experimentais referentes à idade, peso médio à desmama e ganho de peso médio diário de cordeiros Dorper obtidos em diferentes condições de criação, estão apresentados na Tabela 3, segundo diversos autores. Verifica-se que a idade à desmama variou de 53 a 138 dias, o peso médio de 22,6 a 41,3 kg e o ganho de peso médio diário de 212 a 330 g. Pelas condições extensivas de produção estes valores de ganho de peso podem ser considerados bastante satisfatórios. As variações de pesos e ganhos de peso observadas nesta Tabela podem ser atribídas, principalmente, às diferentes condições de criação dos cordeiros, tais como: pastagemnativa (Compbell & Bosman, 1964; Pretorius, 1970; Cloete & De Villiers, 1987; Erasmus et ai., 1994; Van Niekerk, 1998), dieta completa (Basson et al., 1970; Schoeman et al., 1993), pastagem nativa + suplemento (Buitendarg, 1985) e pastagem cultivada (Schoeman & Burger, 1992).

Tabela 3.
Pesos médios ao desmame e ganho de peso diario de ovinos Dorper obtidos sob diferentes condições de criação.

Peso médio
à desmama (kg)
Idade à
desmama (dias)
Ganho de
peso médio
(g/dias)¹
Condição
de criação
Fonte
- - 230 - 250 PN Campbell & Bosman (1964)
24,7 75 230 DC Basson et al. (1970)
- - 240 - 330 PN Pretorius (1970)
22,6 77 290 PN + SP Buitendag (1985)
41,3 138 270 PN Cloete & De Villiers (1987)
18,2 53 260 PC Schoeman & Burges (1992)
26,7 100 - DC Schoeman te al. (1993)
- - 230 PN Erasmus et al. (1994)
27,7 117 212 PN² Van Niekerk (1998)
28,5 117 222 PN³ Van Niekerk (1998)
¹Período da pré-desmama

PN= Pastagem nativa
DC= Dieta completa
SP= Suplemento
PC= Pastagem cultivada

Os resultados contidos na Tabela 4 foram obtidos sob diferentes condições de criação da África do Sul. Observa-se que os animais mais jovens cresceram mais rápidos, e foram mais eficientes do que os outros, o que já era esperado devido a própria curva de crescimento dos mamiferos em geral. Com relação à raça, observa-se que a Persian (cabeça negra ou Somalis) foram mais eficientes do que a Dorper e a Boer. De acordo com relato dos autores deste trabalho isto pode ter sido influenciado pelas condições em que foi realizado a avaliação, onde foram verificadas condições ambientais adversas devido a um severo período de estiagem ocorrido durante a execução do experimento. Sabe-se que em condições adversas as raças nativas têm melhor desempenho do que as raças especializadas. Ainda, segundo os autores, essas resultados devem ser vistos com cautela devido também ao número de animais utilizados.

Tabela 4.
Parâmetros de produção de ovinos Dorper comparativamente com outras raças de ovinos e caprinos, sob condições de pastejo na Africa do Sul.

Raça Ano Idade Pesos (kg) GPMD
(g)
Eficiência (*) CE
(cm)
Inicial Final
Dorper 1985/86 400 51,7 65,6 55,0 43,3 32,0
Persian 1985/86 400 31,6 47,9 65,0 27,8 34,0
Boer Goat 1985/86 400 45,6 56,5 42,0 51,0 28,0
Dorper 1985/86 399 35,5 58,3 91,0 23,5 30,0
Dorper 1989/90 390 46,4 60,7 81,0 24,4 34,0
Boer Goat 1989/90 423 38,9 55,1 92,0 19,1 29,0
Persian 1989/90 378 29,1 43,3 43,3 18,9 31,0
Fonte: Campbell (1995)

GPMD= Ganho em peso médio diário (grama), CE= Circunferência escrotal
(*) Quantidade estimada (kg) de pasto requerido por quilograma de peso ganho, estimada pela fórmula de Kieber

Em outro experimento realizado na África do Sul, envolvendo três raças de ovinos, observaram-se maiores ingestões de alimentos e de água nas raças Karacul e Dorper do que na nativa Persian (Tabela 5). Por serem raças especializadas era esperado maiores requerimentos de água e de alimentos, especialmente para a Dorper. No entanto, observou-se que essas raças alcançaram maiores pesos ao desmame do que a Persian.

Tabela 5.
Consumo de alimentos e água de ovelhas das raças Karacul, Persian e Dorper e a taxa de crescimento de suas crias.

Parâmetros Raças
Karacul Persian Dorper
Peso médio de ovelhas com prenchês 48,5 50,40 68,80
CMD de alimentos por ovelha ( kg ) 2,04 2,0 2,5
CMD de água por ovelha (l) 4,6 3,0 5,9
P100 (kg) de machos 38,5 24,9 37,60
P100 (kg) de fêmeas 33,10 21,8 38,6
CMD de alimentos (kg) / ovelha + crias 2,72 2,26 3,08
CMD= Consumo médio diário, P100= Peso aos 100 dias de idade

Na Tabela 6 são apresentados pesos médios de machos e fêmeas de ovinos da raça Dorper, ajustados para 100 dias de idade. Esta evolução de peso, deste o inicio do Teste de desempenho, não representa necessariamente um ganho genético, mais pode ser atribuído a uma melhoria nas condições de manejo.

Tabela 6.
Evolução de pesos de ovinos da raça Dorper, ajustados aos 100 dias de idade, após inicio do Teste de desempenho na África do Sul.

Ano Peso ajustado aos 100 dias de idade (kg)
Machos Fêmeas Diferença
1964 25,4 24,2 1,2
1966 28,0 26,5 1,5
1968 29,8 27,6 2,2
1970 30,6 28,2 2,4
1971 30,7 28,7 2,0
1972 30,0 27,7 2,3
1974 31,1 29,2 1,9
1976 30,0 27,1 2,9
1977 29,5 27,0 2,5
1978 30,9 28,0 2,9
1980 31,4 28,2 3,2
1981 34,2 31,0 3,2
1982 34,8 32,4 2,4
1983 32,3 29,0 3,3
1984 32,5 29,8 2,7
1985 34,7 30,7 4,0
1987 31,2 29,3 1,9
1988 34,7 31,9 2,8
Média 31,2 28,7 2,5


As características biométricas e peso vivo de ovinos da raça Dorper, com 11 anos de idade, estão apresentados na Tabela 7, cujos dados revelam as seguintes variações: comprimento do corpo (75,7 - 87,6 cm), profundidade (30,6- 35,4 cm), largura do peito (25,1 -31,1 cm), largura da garupa (24,4 - 31,4 cm), altura da cernelha (68,8 - 75,4 cm), comprimento da cabeça (25,7 - 29,7 cm), perímetro toráxico (94,0 - 108,7 cm), peso vivo (73,0 - 96,3 kg), circunferência da canela (9,7 - 12,2 cm) e circunferência escrotal (36,5 cm).

Tabela 7.
Evolução da biometria e peso vivo de ovinos da raça Dorper com 11 meses de idade.

Características 1964 1965 1966 1967 1968 1970
Comprimento do corpo (cm) 76,7 77,5 77,7 83,6 79,2 84,6
Profunidade (cm) 33,5 34,0 30,6 34,0 33,8 33,8
Largura do peito (cm) 27,4 26,4 26,4 29,5 27,7 29,5
Largura da Garupa (cm) 27,9 27,4 24,4 31,2 28,4 29,5
Altura da cemelha(cm) 68,8 71,1 70,6 74,4 75,4 75,2
Comprimento da cabeça (cm) 26,7 26,7 28,4 29,2 29,2 29,7
Perímetro toráxico (cm) 101,6 97,8 100,6 108,2 103,6 104,6
Peso vivo (kg) 94,0 73,0 73,0 84,0 79,0 85,0
Circunferência da canela (cm) - - - 10,4 9,9 10,4
Circunferência escrotal (cm) - - - - - -
Tabela 7.(continuação)
Evolução da biometria e peso vivo de ovinos da raça Dorper com 11 meses de idade.

Características 1971 1972 1973 1974 1982 1988
Comprimento do corpo (cm) 81,3 79,8 82,0 75,7 85,3 87,6
Profunidade(cm) 31,0 32,3 31,8 31,0 33,8 35,4
Largura do peito (cm) 27,4 27,4 25,1 25,1 30,0 31,1
Largura da Garupa (cm) 28,2 27,4 27,4 26,7 29,9 31,4
Altura da cemelha (cm) 72,9 73,4 73,2 70,6 69,7 70,8
Comprimento da cabeça (cm) 29,0 25,7 27,2 26,9 27,9 29,7
Perímetro toráxico (cm) 102,1 100,8 103,1 94,0 103,0 108,7
Peso vivo (kg) 78,0 73,0 77,0 61,0 86,0 96,3
Circunferência da canela (cm) 10,4 12,2 10,2 9,7 10,9 11,3
Circunferência escrotal (cm) - - - - - 36,5


3. Características de Carcaças

Um cordeiro Dorper bem desenvolvido tem qualidade de carcaça, com relação à conformação e distribuição de gordura que geralmente lhe dá uma qualidade superior, normalmente comercializada como tipo "Diamante Dorper". Durante a comercialização de carcaças ovinas, elas são mais procuradas no gancho e atendem todas as necessidades das donas de casas que desejam uma carne mais tenra e suculenta. No entanto, como os ovinos Dorper são considerados uma raça de precocidade de acabamento (crescimento precoce), ela tende a depositar gordura em idade mais jovens, principalmente, quando criadas em confinamento. Para reverter este problema alguns criadores tem iniciado seleção dentro da raça enfatizando velocidade de crescimento e colocando restrição em gordura localizada.

Na Tabela 8 são apresentados alguns resultados comparativos de avaliação de carcaças de ovinos de diferentes raças. Como pode ser observado, a raça Dorper apresentou índices superiores às outras raças lanadas de corte, tendo uma melhor percentagem de rendimento de carcaça, porcentagem de músculos e um favorável teor de gordura na carcaça, quando abatidos aos 3-4 meses de idade. A vantagem dos cordeiros Dorper sendo abatidos jovens é que mais ovelhas podem ser mantidas por hectare do que de outras raças com similar performance reprodutiva, mas com abate de cordeiros à idade mais tardia.

Tabela 8.
Composição de carcaças de cordeiros exportados da África do Sul para Nova Zelândia.

Composição Southdown
(Fourie, 1974)
Romney
(Fourie, 1974)
Dorper
(Fourie, 1974)
Peso da carcaça fria 12,2 13,6 14,2
% de osso 12,2 13,0 13,4
% de músculo 56,0 59,0 64,7
% de gordura 29,0 23,0 21,8


Em diferentes estudos com a raça Dorper conduzidos na África do Sul, observaram-se rendimentos de carcaça que variam de 47 a 52,6% (Tabela 9), o que demonstra um ótimo resultado quando comparado com a maioria das raças especializadas de corte.

Na África do Sul, o preço pago por carcaças de ovinos " tipo premium" é mais alto quando estas são comercializadas com pesos entre 18-22 kg. Para evitar carcaças com maior deposição de gordura é recomendado abater animais com peso vivo entre 32-35 kg.

Em estudo realizado na África do Sul foi constatado que quando abatidos a idades fixas cordeiros Dorper alcançaram pesos médios ao abate de 33,6 kg, aos 131 dias de idade, comparados a 137 dias para raça Dohne Merinos e 176 dias para Merinos. As diferenças em pesos ao abate reportadas por diferentes autores podem ser atribuídas aos diferentes ambientes e sistemas de criação. Portanto, não é oportuno fazer comparações.

Tabela 9.
Peso e rendimento de carcaças de ovinos Dorper em diferentes idades.

Idade ao abate
(dias)
Peso ao abate
(kg)
Rendimento
(%)
Fonte
131 33,6 51,7 Basson et al. (1970)
92 - 125 31,0 50,1 - 52,6 Pretorius (1970)
136 - 238 32,0 47,0 - 50,2 Terbianche et al. (1973)
150 45,0 48,9 - 51,6 Brand (1992)
294 42,0 48,5 Snyman et al. (1996)
245 40,0 50,5 Snyman (1998)¹
169 41,0 48,8 Snyman (1998)¹
¹No prelo

Nas Tabelas 10 e 11 são apresentadas medições de alguns parâmetros de carcaça de cordeiros Dorper, na África do Sul. Infelizmente, devido às diferentes condições onde os trabalhos foram realizados não se pode fazer comparações. No entanto, esses resultados servem para abalizar curiosidades sobre a raça.

Tabela 10.
Medições de algumas parâmetros de carcaças de cordeiros Dorper.

Carcaça Medidas do Pernil (cm)
Fonte
Comprimento (cm) Circuferência Comprimento
90- 103 - 32-37 Van Niekerk & Steenkamp (1995)
105 69 35 Snyman et al. (19%)
107 71 37 Snyman (1998)¹
103 70 34 Snyman (1998)¹
¹No prelo

* G1 - Espessura de gordura entre a 3 e 4 vértebra sacral, 25 mm da linha média
G3 - Espessura de gordura entre a 3 e 4 vértebra lombar, 25 mm da linha média
G5 - Espessura de gordura entre a 9 e 10 costela, 25 mm da linha média


Tabela 11.
Medições de espessura de gordura de carcaças de cordeiros Dorper.

Carcaça
Comprimento em (cm)
Medidas de espessura
de gordura (mm)
Fonte
G1 G3 G5
90- 103 3,5-12,8 - 1,0-5,8 Van Niekerk & Steenlcamp (1995)
105 7,4 5,6 1.1 Snyman et al. (1996)
107 6,8 5,9 1,4 Snyman (1998)¹
103 5,7 4,2 3,0 Snyman (1998)¹
¹No prelo

* G1 - Espessura de gordura entre a 3 e 4 vértebra sacral, 25 mm do centro
G3 - Espessura de gordura entre a 3 e 4a vértebra lombar, 25 mm do centro
G5 - Espessura de gordura entre a 9 e lOa costela, 25 mm do centro


4. Genótipos ou Tipos dentro da Raça Dorper

Animais dentro da raça Dorper são classificados em dois diferentes tipos (genótipos) de acordo com a cobertura de lã. Esses tipos são classificados em: um tipo semi - deslanado, e um tipo lanado, com um intermediário semi deslanados entre eles. Para Dr Campbell, um dos maiores especialistas em ovinos Dorper na África do Sul, alguns criadores têm a percepção de que existe diferença entre esses tipos, mas não existem ainda evidências científicas convincentes para tal fato. Entretanto, recentemente, alguns estudos comparando esses tipos têm sido realizados para substanciar essas percepções dos criadores, cujos resultados podem ser observados nas Tabelas 12, 13 e 14.

a) Desempenho Reprodutivo de Dois Tipos de Ovinos Dorper

Dois grupos de animais pertencentes aos dois tipos acima citados, foram submetidos a um sistema de produção em pastagens nativas, na Estação Experimental de Carnarvan África do Sul. Após dois anos de avaliação verificou-se não haver nenhuma diferença significativa, nos dois tipos com relação a todos os parâmetros reprodutivos estudados, conforme Tabela 12.

Tabela 12.
Média de peso vivo e desempenho reprodutivo de dois genótipos de ovinos Dorper, na África do Sul.

Características Tipo
Semi deslanado Lanado
Número de observações 110 110
Peso vivo pré-monta (kg) 55,3 53,8
Fertilidade da ovelha 0,85 0,82
Prolificidade 1,54 1,54
Sobrevivência 0,91 0,91
Taxa de reprodução 1,20 1,16
Peso do cordeiro desmamado/ovelha coberta (kg) 33,0 31,5
Fonte: Snyman (1998), no prelo.

¹(ovelha parida por ovelha coberta), ²(desmamado por ovelha coberta)

b) Características de Crescimento e de Conformação nos Dois Tipos de Ovinos Dorper

Os resultados apresentados na Tabela 13 correspondem ao desempenho de crescimento de cordeiros Dorper, até o desmame, sob condição extensiva nos dois tipos citados anteriormente. È evidente que não houve diferença no desempenho em nenhum parâmetro nos dois tipos estudados.

Tabela 13.
Desempenho de crescimento de cordeiros Dorper tipo semi deslanado e lanado sob condição extensiva de criação, na África do Sul.

Características Tipo
Semi-deslanado Lanado
Machos
Peso vivo aos 42 dias (kg) 16,3 16,2
Peso vivo aos 100 dias (kg) 31,3 27,0
ECD (*) 31,1 27,0
GMD (g) 265,0 263,0
Fêmeas
Peso vivo aos 42 dias (kg) 15,2 15,2
Peso vivo aos 100 dias (kg) 28,6 28,8
ECD (*) 29,0 29,0
GMD (g) 242,0 242,0
(*) ECD= Escore corporal ao desmame obtidos em escala linear de 1-50.
GMD= Ganho médio diário de peso.
Fonte: Snyman (1998), no prelo.

c) Características de Carcaças nos dois Tipos

Na Tabela 14 são apresentados resultados de dois experimentos conduzidos com os dois tipos de ovinos Dorper, em diferentes sistemas de produção. Em ambos estudos os animais foram abatidos com 40 kg de peso vivo. No estudo de Snyman (1998), os cordeiros do tipo lanados apresentaram maior percentagem de carcaça do que o tipo semi-deslanados. Já, Van Niekerk & Steenkamp (1995) observaram resultados opostos. Nos estudos de Snyman (1998), o comprimento de carcaça e do pernil foram mais longos nos animais tipo lanado do que no semi-deslanado, concordando com Van Niekerk Steenkamp (1995). Com relação às medições de gordura nenhuma diferença significativa foi observada entre os dois tipos em ambos os estudos.

Tabela 14.
Medidas de carcaças em ovinos Dorper dos tipos semi-deslanado e lanado.

Características Tipo
Semi-deslanado Lanado
Snyman (1998)
Número de observações 156 106
Peso da carcaça (kg) 19,2 19,7
Rendimento (%) 49,9 51,2
Idade ao abate (dias) 242 251
Comprimento da carcaça (cm) 105,8 107,2
Comprimento do pernil (cm) 36,3 40.0
Espessura da gordura (mm)
G1*
6,6 7,0
G3
5,8 6,0
G5
1,4 1,4
Van Niekerk & Steenkamp (1995)
Número de observações 12 12
Peso da carcaça (kg) 20,2 19,3
Rendimento (%) 51,1 48,7
Idade ao abate (dias) - -
Comprimento da carcaça (cm) 102,3 101,5
Comprimento do pernil (cm) 35,7 37,3
Espessura da gordura (mm)*
G1*
12,8 8,4
G3
5,7 5,5
G5
- -
*G1 - Espessura de gordura entre a 3a e 4 vértebra sacral. 25 mm da linha média
G3 - Espessura de gordura entre a 3 e 4 vértebra lombar, 25 mm da linha média
G5 - Espessura de gordura entre a 9 e 10 costela, 25 mm da linha média

Fonte: Livro, OVINOS DE CORTE A RAÇA DORPER




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